segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Vamos combinar...
Nem só de poesia vive o homem.

Eu preciso assistir o cheiro da panela de feijão. 
O alho e as folhas de louro, gemendo dentro da panela.
O aroma vai invadindo a sala.

Eu fico em silêncio, assistindo o espetáculo.

Daí chove.
Sabe uma chuva educada?
Daquelas em que os pingos caem reto.
Feito chuveiro.
Tem chuva que sabe chover.
Num faz drama, só chove.

A panela de pressão é dramática. 
Grita e geme alto.
Um escândalo de acordar os vizinhos. 

Mas, eu preciso de algo mais que um poema.

Enchi uma caneca com caldo bem quente de feijão. 
Fui na janela olhar a chuva.

Bebi até a chuva me penetrar...
e os poros exalar o aroma da panela.

Fiz molho de pimenta, só para quebrar o clima.
Aprecio a realidade nua e crua.
A vida é ardida.

Vivi Ame...Viviane Mendes

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Desabafando....antes do Natal em 3, 2, 1Tem gente que gosta de comer mosca.Gosto não se discute. ...quando mané põe ozpé na política, eu vou de fasto.Eu olho e num vejo gente.Vejo um político. O pior é que eles num percebem.Eu gosto de gente!No banco, no supermercado, em tudo quanté lugar que eu vou, me chamam de Vivi.Sabem um pouco da minha vida.Perguntam se a costela ainda tá doendo. Faxineira, segurança, a moça da loja, o moço do correio, a gente conversa de um tudo.Os pedintes me encontram na rua.Pedem ração pros cachorros. Eu dou.Ontem um falou:- Você sempre bonita e cuidando dos outros, né?Eu acreditei.A carapuça me serviu e eu vesti mesmo, com orgulho. Hoje fui pegar a segunda via duma conta, encontrei outro.Falei:- Viu...aquele dia que a gente conversou cê falou que era segunda feira eu te disse que era quarta feira. ...então, eu errei.Era terça-feira. Ele:-Tô meio perdido. Eu:- Também tô. Rimos juntos.Sabe...pensando aqui.Eu gosto de gente que se comporta feito gente.Mas........Tem um tipo meio robotizado que num gosto!Ué?Não suporto!!!Tipo, eu perceber que a pessoa quer me vender algo.Quando percebe que não vou comprar, se despluga da conversa.Daí eu vejo que o interesse era só na possível cliente.Sabe...sem humanidade nenhuma.E tem os que se resumem ao cargo.Douto, puliça, fessor, que se comporta o tempo todinho como se estivesse no exercício da profissão. Putz...eu gosto de gente.Profissional eu procuro quando preciso.Eu gosto de gente....de preferência gente que sente.A vida é troca.Troca afetiva.Troca de favor.Troca emocional. Como dizem, os espiritualizados:Valor de troca...tantos reais.Num acho feio falar de dinheiro.Às vezes a gente doa nosso tempo, ouvido, nosso talento, e outro acredita que isso num custa dinheiro. CUSTA SIM SENHOR!!!A gente num pode é comer mosca.Retribuir é importante.☝☝☝Demonstra que você também tem algo a oferecer.Isso é elegância de alma.Mas tem gente que come mosca...Fome de mosquito.É isso.Vivi Ame...Viviane Mendes

Desabafando....antes do Natal em 3, 2, 1

Tem gente que gosta de comer mosca.
Gosto não se discute. 

...quando mané põe ozpé na política, eu vou de fasto.
Eu olho e num vejo gente.
Vejo um político. 
O pior é que eles num percebem.

Eu gosto de gente!

No banco, no supermercado,  em tudo quanté lugar que eu vou, me chamam de Vivi.
Sabem um pouco da minha vida.
Perguntam se a costela ainda tá doendo. 
Faxineira, segurança,  a moça da loja, o moço do correio, a gente conversa de um tudo.
Os pedintes me encontram na rua.
Pedem ração pros cachorros. 
Eu dou.
Ontem um falou:
- Você sempre bonita e cuidando dos outros, né?
Eu acreditei.
A carapuça me serviu e eu vesti mesmo, com orgulho. 

Hoje fui pegar a segunda via duma conta, encontrei outro.
Falei:
- Viu...aquele dia que a gente conversou cê falou que era segunda feira eu te disse que era quarta feira. 
...então,  eu errei.
Era terça-feira. 
Ele:
-Tô meio perdido. 
Eu:
- Também tô. 
Rimos juntos.

Sabe...pensando aqui.
Eu gosto de gente que se comporta feito gente.
Mas........
Tem um tipo meio robotizado que num gosto!
Ué?
Não suporto!!!
Tipo, eu perceber que a pessoa quer me vender algo.
Quando percebe que não vou comprar, se despluga da conversa.
Daí eu vejo que o interesse era só na possível cliente.
Sabe...sem humanidade nenhuma.
E tem os que se resumem ao cargo.
Douto, puliça, fessor, que se comporta o tempo todinho como se estivesse no exercício da profissão. 
Putz...eu gosto de gente.
Profissional eu procuro quando preciso.
Eu gosto de gente.
...de preferência gente que sente.

A vida é troca.
Troca afetiva.
Troca de favor.
Troca emocional. 

Como dizem, os espiritualizados:
Valor de troca...tantos reais.

Num acho feio falar de dinheiro.
Às vezes a gente doa nosso tempo, ouvido, nosso talento, e outro acredita que isso num custa dinheiro. 
CUSTA SIM SENHOR!!!
A gente num pode é comer mosca.
Retribuir é importante.
☝☝☝
Demonstra que você também tem algo a oferecer.
Isso é elegância de alma.

Mas tem gente que come mosca...
Fome de mosquito.
É isso.
Vivi Ame...Viviane Mendes
Fui comprar um shampoo.
Algo que custasse mais que 50 reais e menos de 150 reais.
...um shampoo, gente.
Pra lavar o cabelo!
A vendedora começou assim:
- Essa é nossa linha home care....
Eu paralizei. 
😶😶😶
Linha "home care".
Bem, engatei a segunda marcha e fui perguntar dum creme para o rosto.
Um hidratante.
A moça perguntou sobre minha rotina de skin care.
Gente...
Paralizei, parte 2
😶😶😶
Daí veio a pergunta:
- O que você espera do produto?
Eu:
Milagre!

Entre um sorriso e outro e uma aula rápida sobre peso molecular de ácido hialuronico, consegui voltar pra casa com uma sacolinha e gastei menos de 200 reais.
Buenas....
A 3 dose da "faizer", foi só mostrar o CPF.
Carteira de vacinação na mão.

Acho que o mundo numa velocidade estonteante.
Eu mesma acho que meu espelho tá distorcendo imagem.
Tem dia que eu me olho, me vejo linda.
Maravilhosa. 
Tem dia que eu acho mesmo.

Tem noite que eu só vejo meu pescoço e pregas.
Eu nunca reparei em pescoço. 
Daí o rosto também combina com o pescoço e eu acho que estou horrível. 
A moça  da loja falou para passar o creme no pescoço. 
Até então, minha rotina de skin care era escovar o dente, limpar o ouvido, e passar o produto que tava na mão. 
Num confessei isso pra moça por vergonha e pavor do "tom professoral"
Já pensou?
Se eu falo sobre  PH de sabonete.
Tônico facial.
Área dos olhos.
Preenchimento labial.
Olha....
É um poço sem fim.
Igualzinho a vaidade humana.

No meio duma conversa, meu povo, o vocabulário tem que ornar com a hora do dia.
Conversa de boteco, citando Platão já caiu em desuso.

Vivi Ame...Viviane Mendes

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

O Zé morreu.
...hoje um moço moreno que limpa o vidro do carro, se aproximou numa esquina.
Eu disse que não tinha dinheiro.
Ele perguntou se o gato que morreu na frente da minha casa, se era meu.

Estacionei o carro.

Falei que o meu tinha sumido.
Ele:
Branco e cinza?
Eu:
...é.

Sinto paz.
Com a morte, não se discute.
Agora eu sei o que aconteceu. 

Sabe, a vida tem seu tempo.
E suas respostas que chegam com o tempo.
Ninguém nunca vai saber o tanto que esse gato significava para mim.
O meu amor por ele era uma coisa que não existe palavra para definir.
Era um sentimento sem nome.
Não dava pra falar da Viviane,  sem falar do Zé. 
Nem eu consigo...e olha que eu sou generosa com o alfabeto.

Eu sinto que nasce uma nova Viviane hoje, sem o Zé. 
Eu ainda não sei lidar comigo.

O Zé morreu.
Mas, meu sentir continua atento e grato, pela espiritualidade usar um moço que pede dinheiro no sinal para acalmar meu coração. 
As respostas chegam.
Sempre.
Ando com o vidro do carro aberto.
...e o coração também.

Hoje, dia 21/12/21, é um bonito dia para se nascer!
...e deixar ir o que precisa ir.
Em todos os sentidos!

Vivi Ame...Viviane Mendes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Tomara que a pessoa que tem que ler isso, leia:

Eu acho tão lindo gente que num perde a chance de retribuir gentilezas e favores.

E eu gosto de me sentir linda!

Então queria agradecer a pessoa que deixou um monte de botão no meu portão. 
Não tinha nenhum bilhete.

Acho que num é fazer algo por um like.
Ou vários likes.
A gente faz as coisas entre a gente e lá em cima.
E sem saber onde é  o "lá em cima."
Eu chamo de Deus, ou o altar do coração. 
No final, é essa a lei.

Eu gosto de batalhas.
Sofá serve para descanso.
A vida é um emaranhado de desencontros, desentendimentos e injustiças.

Gosto de luta limpa.

Acho o cumprir a palavra algo divino. 
A vida pode ser bem leve, se a gente não atropelar os detalhes.
E é nos detalhes que ela se desenvolve. 

Repare em como te tratam.
Mas, sobretudo  repare no que te motiva.
Existe uma balança onde o dar e o receber pesa no coração. 
Ninguém vai saber.
Tampouco reparar.
Só a coragem da consciência, vai aferir essa balança. 
E com lupa, nós vamos equalizar as dívidas e os créditos. 
Assim, nos detalhes.
Mas....
O MEU detalhe, é diferente do SEU detalhe.

Agradeço todos os botões que você me deu.
Uso no meu trabalho, é só um detalhe.
Mas, eles também servem para abotoar meus pensamentos. 

Vivi Ame...Viviane Mendes

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Queria tanto um rivotril.
Lexotan, sertralina.
Qualquer faixa preta que me desse um abraço. 
Maconha, cocaína... qualquer coisa que me pegasse pela mão e dissesse:
- Confia, vem comigo!
Feito camisa de força que nos leva ao exílio de nossas dores.

Mas não. 
Escolhi o caminho sem anestesia.
Sei lá...será que tem algum mérito?
Ou é burrice junto com arrogância?
Vai ver eu ainda vou tropeçar na barra da saia que insisto em desfilar.

Ascendi uma vela rosa.
De joelhos rezei, uma reza difícil.

 Pai Nosso, seja feita a sua vontade.

...quase que eu não falo essa parte.

Queria minha vontade.
Muito luxo, né?
Pedi.
Para todo amor que existe em meu ser banhar meu gato.
Um gato.
Filho do cio.
A mãe, se chamava Diaba, arisca.
Ela amava o Sonso.
O Sonso eu peguei fácil,  mandei castrar.
( O Sondinho era fácil de lidar)
O gato Catatau, comeu a Diaba no telhado.
Engravidou. 
Sexo sem amor.
E com o Sonso assistindo...
 A Diaba abandonou os filhotes.

ASSUMI O CASO.
Uma ninhada.
Ele era meu filho.
O único que segurava a mamadeira com as patas.

Nunca saiu.
Desde 2008, dorme comigo.
Eu dei mamadeira.

Procuro ele por todo lado.
Sinto sua ausência. 
Na música do poeta, naquela mesa tá faltando ele, e a saudade tá doendo em mim, virou realidade. 

Abri um tinto pra combinar com o roxo da perna.
Vesti meu pijama rosa para combinar com a vela.
Chove por dentro para combinar com o dia.

Meu gato amarelo está do lado, para iluminar meu breu.
Até o Negão desceu do telhado e veio se sentar a mesa.
O Neguinho, me observa de cima do guarda roupa, feito anjo da guarda.
A Lizinha e o Linguine, brincam, tentam me distrair.
...são inocentes.
O Jorge, me olha feito monge budista me cobrando a compreensão da impermanência. 
O Puma, mia chorando, afinal chantagem sempre funciona. 
O Patrick, frio, calculista come e vai embora, me agradece com os olhos.

E eu...

Me acostumo com todas presenças. 
Apesar da ausência.
Ausência que me faz pertencer a humanidade.
E sentir uma dor universal.
A dor de não saber o que aconteceu. 
A gente sorri.
Leva a vida.
...com o coração do tamanho duma ervilha.

Maldita hora que eu fui me apaixonar!
Não creio que tive escolha.
Foi  destino.
Me apaixonei pela palavra lucidez.
Pago o preço com juros e correção monetária. 
Parcelas infinitas.

Engulo o vinho seco junto com o choro.
Na garganta em chamas, as labaredas, sem extintor de incêndio, queimam.
E vão reduzindo a cinzas meu apego.
Até que eu entenda,  e aprenda que com o amor, não se discute.

Apenas aceitar sua totalidade.
...já é uma boa nota nessa escola.

 Catatau,  o pai, um dia, sem mais nem porquê,  sumiu numa noite de luar.
A mãe,  a Diaba, desapareceu da noite para o dia.
Ele, meu filho, Zé, teria o mesmo destino?
Será que esse papo de genética,  ancestralidade existe no mundo dos gatos?

Minha alma está lutando...para não ficar roxa por dentro.
Tem sentimentos que são uma batida tão forte que nos imobiliza.
Tem hora que me falta ar.
Angústia é um sentimento roxo.
Nos asfixia. 
Alguns sentimentos são coloridos.
Angústia,  posso afirmar, é roxo muito intenso.

Vivi Ame...Viviane Mendes
...tadinha.
Diria meu avô ao me ver assim.
Meu avô era a única pessoa que me pegava no colo e me chamava de coitadinha.
Eu gostava.
Aproveitava e chorava.
Ele me chamava de tadinha até meu choro se esgotar.
Engraçado, nem mãe e nem avó faziam dessa forma.
As mulheres corriam, socorriam e sorriam na medida do possível. 
Meu avô era quieto, sereno e guardava no cofre alguns documentos,  e uma miséria de joias. 
A gente era parceiro.
Eu era criança e ele fez eu decorar o segredo do cofre.
Tinha um cofre embutido na parede.
Pensa bem...casa com cofre.

Não tinha tesouro.
Só mistério.

Meu avô, na simplicidade dele, foi alfaiate, entrou como mirím no banco e chegou a diretor do banco Mercantil. 
Homem honesto.
Péssimo negociante.
...assim eu escutava.

Hoje, eu fico rebobinando a fita, e chego a conclusão que ele era realmente honesto.
Ao me ver chorar, ele era o único que percebia minha necessidade de desaguar.
E qualquer tombinho, ralada no joelho ou galo na cabeça era a nossa chance.
Eu chorava choro de anteontem.

Foi bom.
A barreira rompia.

Mas...como diziam, era péssimo negociante.
Só eu era favorecida na negociação. 
Ele , como sempre, se anulava.
Não tirava vantagem alguma.
O choro dele, era interno.

Meu avô teve doença de Parkinson. 
Foi firme, apesar do corpo todo tremer.
Um dia ele caiu e quebrou o fêmur. 
Morreu no hospital. 

Eu cai dum caixote de 40 cm de altura.
Pisei no canto errado.

Deu nisso.

Mas, aqui, conversando com vocês nesse dia de chuva fina, eu me vejo em liberdade.
A coitadinha, morreu.
Junto com meu avô. 

Virei a mãe que trabalhava e a avó que socorria.
Isso porque, eu tinha a senha do cofre.
Me avô me deu colo.
E nessa proteção eu me sentia garantida na vida.
Todo desamparo sumia quando eu lembrava que entre as filhas, as netas...eu era a única que tinha aqueles números decorados na cabeça. 

Vivi Ame...Viviane Mendes