segunda-feira, 6 de março de 2023


Tudo que a gente se sente desconfortável em fazer, a gente não deveria fazer.
O desconforto é um lugar perigoso.
Que não se confunda conforto com comodidade.
Conforto é um sofá onde a alma se sente em paz.
Algumas vezes a comodidade é a ante sala da estagnação.
Muitos confundem a palavra conforto com descanso, porém tudo depende da vocação da alma.
O conforto é um guia.
Uma preciosa bússola para indicar o caminho.
Esse conforto deve preceder o ato.
Permanecer no ato.
...e sobreviver ao ato.
Se falhar nesse quesito, melhor repensar essa relação de ato com o desconforto.
Vivi Ame

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Porque você quer continuar nesse mundo?A alegria do mundo está cada vez mais difícil de encontrar.Confesso...cada vez mais ela me atrai.Não essa alienação forçada de comemoração, aglomeração e euforia da razão de que a vida é minha, faço dela o que quiser....isso tudo nunca foi a tradução de felicidade para mim.Ou o entorpecimento das paixões, que nos engole num narcisismo desenfreado onde nada sacia nossos apetites e desejos.Eu me refiro a alegria do nada.A felicidade ostentada como cereja no bolo, não me abastece.Nem a oferecida na sala de coach que promete sucesso!...e nem a da padaria da esquina.Quero fruta no pé que plantei.A alegria sem motivo...apesar de do barulho do mundo.Daqui pra frente, quem não se deu bem em sua própria companhia, terá mais um tempo.Um tempo de chuva para aprender a brincar sozinho em uma poça d'água. Um tempo de sol, para tirar a roupa e ficar totalmente nu no quintal.Um tempo que se oferece todo dia para transformarmos nosso corpo em um laboratório.Somos tão doutores de nossas razões. Que tal se virar com elas?Mas...Quando faltar conhecimento, faltar fé, e falhar as razões, descubra qual é o anzol que te atrai.Pode ser ele sua arapuca.As iscas são infinitas.Talvez as razões sejam a bola de ferro presa no calcanhar.Ou a fé que precisa ser despida de tudo que julgamos ser conhecido.A poesia é um silêncio interno que gera crianças num útero cósmico. E crianças sabem brincar e manifestar alegria....mesmo sozinhas no berço. Estamos caminhando num vale de sombras, mas para a criança, isso não assusta.Ela é cheia de vazio.Vivi Ame...Viviane Mendes.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Tenho aqui minhas coisinhas para arrumar.É uma escolha dar atenção a isso.O viver é uma sucessão de coisinhas.A resposta dada na hora correta.O chão de cimento com um desenho inacabado pede a conclusão. O combinado cumprido independente do comprimento do acordo.A roupa descosturada pede linha e agulha. O olho no olho do pseudo adversário, pede coragem.E junto com o papel rasgado, o começo, meio e fim de todo boleto pago.Eu não quero me esquivar da vida.Não posso me abandonar.As caixas de material só servem se eu souber o que elas guardam.A amizade só vale se for uma via de mão dupla.Deus me livre de ficar parada no acostamento de uma existência. Temos que pagar o pedágio e seguir.É justo.Eu fico aqui, honrando minhas coisinhas insignificantes.Assim, nas miudezas eu não me abandono.De pouquinho. ..Acudo dois quilos a mais na balança.Limpo a gaveta dos remédios. Resumindo, eu me adotei.Sua uma humana adotada por uma alma responsável. Não vou me abandonar na estrada para poder viajar. Sou a tutora de mim mesma.Cheia de falhas.Mas repleta de responsabilidade!Vivi Ame...Viviane Mendes

Minha vida não está fácil. ...muitas vezes eu me sinto triste.Mesmo assim venho compartilhar um bom investimento que descobri....Meu gato Negão, idoso requer a atenção de um nenê. E o cuidado ininterrupto de um idoso.Eu tenho que levar ele para fora e pedir para ele fazer xixi. Para comer, eu tenho que ficar do lado e repetir:- Come tudo pra ficar fortinho!....isso vai fica fotinho.Eu tiro a letra r.Se faltar a ração de latinha, eu tenho que sair de casa para comprar.Antes de ontem foi assim.Era um dilúvio e eu na rua.Mas ele tá bem.Eu escovo os pelos e limpo ele com água miscelar.Ele faz arte feito velho teimoso.Sobe no fogão!!!Ouro dia tinha uma panela com água quente.Ele pulou, fui rápida. Queimei a mão. Mas o Negão, são e salvo!*******Estou com problema sério de falta de água. Depois que o presidente do DAE mandou cortar o cano da caixa que nos abastecia, toda tarde falta água. A caixa do Shopping, é assim que eles chamam, não dá conta da demanda.Aqui na minha casa, vem funcionário do DAE duas vezes por dia para medir a pressão. Está sendo desgastante. Os funcionários do DAE, são gentis.A autarquia está caquética.Pior que meu gato Negão. *****Não estou tão caprichosa com minha alimentação. Sinto saudades de preparar um prato bonito e nutritivo.Procuro ser íntegra....o tempo todo. Como se tivesse uma câmera de segurança oculta me espiando.Tenho coisas para resolver, decisões para tomar e vou.Vou com a cara e a coragem.Procuro não fugir das minhas escolhas, das minhas obrigações, de minhas lutas e de meus débitos. Lido com o que temporário. O que é eterno é o amor que cultivo.Acho importante escolher qual vespeiro botar a mão.Escolho.E boto a mão.Sabe, apesar do cansaço, das dificuldades e de alguma tristeza, não sofro de falta.Das faltas materiais, sim, algumas.Mas a pior de todas é a falta de vergonha na cara.É insalubre lidar com quem não tem vergonha na cara.Não tenho cremes anti idade, não tenho botox, não faço laser e nenhum fio de sustentação. O que tenho é muita, muita vergonha na cara.Eu recomendo:Sem moderação!!! Invistam em vergonha na cara.Isso é eterno.A falta de vergonha na cara deixa um rastro difícil de apagar.O resto...o resto a chuva limpa.Vivi Ame...Viviane Mendes

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Você ter dinheiro e ser muito esperto.
Mas preciso lhe dizer:

- Seu negócio pode prosperar e você se orgulhar de ter vencido na vida.
Mas...
Não se sobe uma escada pulando degraus.
A gratidão não é um tapetinho que você limpa a sola do sapato.

Não pense que ser grato se resume a dar de presente um vinho que não faz falta na sua adega.
Não é pagar a conta numa rodada de bar.
E nem soltar um:
" Valeu, obrigada, hein"

Se você pensa que ser grato é isso, te digo que você está subestimando a palavra.
Esses comportamentos são mecânicos e desprovidos de significado.
Mais ou menos como limpar o pé num tapete.
NÃO TE CUSTA NADA.

A pessoa grata no coração tem uma antena ligada o tempo todo.
Porque o sentimento de ser grato a alguém não prescreve.
E com esse sentimento real e latejante dentro do peito e antena na cabeça,  você nunca perde a oportunidade de retribuir quando o outro necessita. 

Mas...é tudo muito sutil. 

O ingrato não percebe.
Tudo se resume ao que não vai fazer falta para ele.
O tempo, o dinheiro, a atenção,  ele só dá se não for lhe fazer falta alguma.

A pessoa realmente grata age de maneira diametralmente oposta.
A pessoa grata se sente obrigada. 
E isso não é uma cruz.
Isso é uma libertação. 

A gente sente um prazer estranho.
Seguir com fidelidade,  o coração. 
Cada degrau da escada, se pisa devagar e com cuidado.
O ingrato, limpa o pé no tapetinho e sobe a escada.

Ele, o ingrato, não vai entender...
Seu único entendimento, são os planetas que orbitam o seu umbigo. 

A gente repara.
Eu reparo!
Não é o vinho caro.

É a necessidade do outro.
...e isso não tem preço.

Apesar de você ser rico e esperto, você não percebe a mosca na sopa.
E perde.
Perde a preciosa chance de retribuir a existência.
Acho tão pobre seu sucesso.

Vivi Ame...Viviane Mendes

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Eu estou procurando uma mulher.
Se alguém souber o paradeiro, me ajude.

...tenho tanta saudade da vida.
Me sinto presente no mundo, mas longe dele.
Sinto saudade de dormir e acordar como antigamente. 

A vida deve ser mais que tudo isso.

Não é grandes coisas, não. 
É vidinha simples, sem olhar para um irmão com desconfiança. 
Vidinha besta de quem paga as contas e para na praça pra tomar um caldo de cana.
...e comer um pastel sem culpa.

O existir num mundo em guerra velada é como andar sem saber se uma bomba vai explodir na esquina.
Um espião infiltrado pode estar ao lado.
E trincheiras são obstáculos pelo caminho.

Sinto saudade da vida.

Uma vida de educação e civilidade.
Uma vida de respeito a cultura.
Uma vida de vizinhos amigos.
Vidinha comum.

Parece que não, mas estamos isolados.
Queria muito uma escada rolante para o futuro.
Degrau por degrau não há joelho que aguente .

Estou subindo...
Não sei exatamente onde vai dar.

Tenho esperança de encontrar uma senhora simpática   com cara de avó e que diga:
- Vem Vivi, a comida está na mesa.
Lave bem as mãos e venha se sentar.

Eu:
- Quem é a senhora?
Eu te conheço?

E ela:
...limpando as mãos num avental xadrez, solta os cabelos, me abre um sorriso e diz:
- Meu nome é  Vida.

Eu preciso repousar na casa dessa senhora.
Vivi Ame...Viviane Mendes

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

O que você tem feito com sua amargura? Importante é a gente não se tornar igual a aquele que julgamos ser nosso inimigo.A amargura traz infelicidade.Estamos todos cansados, com dor na coluna.Batalha cansa.A briga externa, exaure.A luta interna, adoece.Estou exausta, mas remando com os dois braços. Precisamos ter sabedoria para não nos matar antes do tempo.Tenho estado vigilante.Sinto falta de alegria. Pequena que seja.Miudinha, vai...Aquele sentimento de alguma vitória. Eu me agarro as alegriazinhas do dia a dia feito criança que segura o paninho e a chupeta pra não abrir o berreiro.Essa semana terminei quadro, limpei a geladeira, emagreci 900 gramas, organizei as tintas, cortei a unha, fui educada com as pessoas e até dei um jeito no jardim.Com o peso do mundo, me seguro nas minhas verdades do mesmo jeito que seguro naquele pano para subir e fazer qualquer mera acrobacia no ar.Num caí, sucesso!Fiz a 30 cm do chão, mas fiz.A verdade é que tá bem fácil despencar.A amargura é um fel que nos envenena a cada gole, a cada tragada.Não percebemos e muitas vezes, nossa penúria é tão alarmante, que confundimos com prazer.Quando eu percebo que entrei na penumbra eu faço de conta que sou minha mãe e conto histórias para mim.Penso como é triste estar numa cama de hospital lutando pela vida.Logo, penso e faço a conclusão:Melhor remar com os dois braços e seja o que Deus quiser.Não tenho quem me acuda.Sou eu e o alto.Na travessia, não estou esperando o vento favorável. Numa dessa a embarcação pode virar.O momento é de turbulência em terra, mar e ar.Tô me segurando com a poesia, a arte, os bichos, algum bom senso, um tanto de lucidez e um fio de esperança. Vivi Ame...Viviane Mendes

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Não vejo salvação.

Sabe aquela pessoa que faz um post, ela mesma curte, passa 3 horas, tem a curtida da mãe e do filho?
Então...
Eu reparo nisso.

Em escalas proporcionais, é óbvio. 

Falamos para nós mesmos.
...feito gente feia que depois da plástica e da academia fica enamorado pelo próprio reflexo.

Entendo.
Eu com o colágeno no banco, seria insuportável. 

Não temos salvação porque procuramos fora.
Procuramos por espelho o tempo todo.
Tenho visto gente que transcende toda e qualquer noção de humanidade.
Se dizem porta voz de Jesus.
Olho os comentários...penso:
- Alguém vai dar um sacode, népussivi!!!!
Não. 
As pessoas concordam, aplaudem.

Deve ser bom.
Sensação de pertencimento. 
As palavras do pastor, ou da porta voz do céu estrelado onde os 3 dias de escuridão não eclipsaram o ego.
Entretanto, o que eu percebo é que essas pessoas são humaninhas da cabeça aos pés. 

Humaninhas da Silva Sauro.
Quiném eu.

Já se enganaram. 
Vixe Maria...sei de cada bafão!

O pertencer a algo como religião, partido, clube, sindicato, e por aí vai...dá aquele sentimento de
 "eu e minha turma".

Me parece gente adulta que mora na casa dos pais e nunca comprou um botijão de gás. 
Ou a criança mimada que faz birra por desconhecer o sentimento de frustração. 

Vejo tudo enguiçado. 
Eu mesma estou.

Frustrada sempre fui, mai meu butijão eu compro, carrego e troco.
Só devo satisfação a minha cervical e lombar.

 Não vejo salvação na pátria, nem no Deus da pátria e muito menos na família da pátria. 

Tá tudo bugado.

Pensando bem, nunca vi a salvação. 
A gente tem que ter autocrítica, discernimento e um pouco de bom humor para não travar a esperança. 

A parte boa, é que a tal salvação eu procuro da porta para dentro.
Cavucando com a mão. 
E é nessa liberdade que eu vivo.

E que o alto me salve se eu merecer.
Se não, num tem problema. 
Eu prezo por justiça. 

Vivi Ame...Viviane Mendes

sábado, 17 de setembro de 2022

Eu acho que o Brasil vai dar certo!
...entenda meus motivos:
Quanto mais o tempo passa, mais interessante eu acho a vida.
Quando eu era criança, eu era tristinha.
Passei da triste pra complexada.
Quando eu era adolescente, eu era desengonçada.
Passei da desengonçada pra gostosa.
Fui muito insegura e rejeitada!!!
Foi duro marcar território.
Achava que eu num prestava pra nada.
Tantas e tantas vezes me passava pela cabeça que eu num tinha dado certo na vida.
Tanta necessidade de aprovação...
Tanta necessidade de me sentir aceita num grupo.
Sabe...foi phoda.
Eu num era convidada pra nada.
Minhas ''coleguinhas'' me viam como uma ameaça.
Em qualquer lugar os olhos dos homens eram para mim e eu era uma presença ''non grata''
Eu num entendia...
Achava que eu não era digna.
Cêis nem calcula cada coisa que eu fazia pra que gostassem de mim.
Quando, pela graça divina me convidavam pra alguma coisa, eu era aquela que invadia a madrugada lavando TODA a louça.
Eu queria agradar...e judiavam de mim.
Um dia num passeio numa ilha me mandaram ir lavar um tacho preto no rio.
Eu fui.
Eu não entendi que ''aquele'' tacho num ia limpar NUNCA.
Fiquei o dia inteiro esfregando.
Sai do rio com insolação.
Se eu for entrar em detalhes...vai ser uma comoção nacional.
Foi uma desgraceira.
Nunca imaginei que depois dos 45 eu ia sentir tanto prazer em ficar sozinha.
Em paz...porque estou comigo.
Se eu tou aqui firme e forte, o Brasil também vai conseguir escapar dessa.
Vamu pença + 
Tou otimista...
Viviane Mendes

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

EU NÃO SOU PARA TODO MUNDO.
Cada um consome o alimento que lhe nutre.

Arte para mim, é néctar. 
Meu trabalho é fazer um pão. 
Não esse pão sem nutrientes que estufa a pança.
Eu dou valor a fermentação natural, ao centeio e ao trigo ancestral.

Minha arte anda de mãos dadas com meu verbo.
Faço para nutrir.

Existe disponível todo tipo de alimento.
Há quem se alimente de decomposição. 
Há quem compartilhe seu mundo em forma de vomito. 

E existem aqueles que copiam um estilo, uma técnica e estacionam na vaga que encontraram.
Ali ficam.

Tem mercado para todo mundo.

Arte cada um faz com os ingredientes que tem, ou com a frequência que alcança. 
A arte não é boa só porque é arte.
Da mesma maneira que um alimento pode ser veneno e adoecer o corpo.
Tem arte doente.
Arte insossa. 

Eu não sou para todo mundo.
Quem consome minha arte tem fome de néctar. 

Eu mastigo a realidade.
Várias mordidas nas camadas da sociedade, no respeito ao mundo do outro, cada um orbita numa constelação. 

O que ofereço é o melhor que consigo fazer com minhas técnicas, meu talento e meu espírito. 

Raramente eu vomito.
Sou muito seletiva no que consumo.
Mas quando isso acontece, vou para privada e não para tela.

Saber o lugar certo das coisas é o começo do respeito pelo outro.
Vivi Ame...Viviane Mendes

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Parecia um dia comum.Perdi a dignidade, mas passo bem.... lembrei que o marido pediu pra deixar bike no jeito.Cedinho, liguei a vap.Daí pra frente, perdi a noção do bom, do mau e do justo.Foi um combo de ignorância, fissura e tesão .Comecei pelos tapetes.Fui para parede.Afinal minha casa é piquininha.Lavar as paredes, num custa, né?Noraqueuvi tava tirando o pó das folhinhas do pé de limão. Para aproveitar garrei na mão do sapólio e fui pras janela.Meu sapato de camurça ficou encharcado de andar e fazer barulho...parecia que tinha alguém se afogando dentro dele.Mas...catei a tesoura.Fui podar as plantas.Né???A gente num mede consequências. Entrou um espinho na mão. Que que é um peido quando a gente tá cagado?Resolvi pintar uma cadeira.Numa dessa, tirei a bota.Véio tem medo de friagem nozpéNuma dessa como num pegar o cortador de unha, e num dar aquele trato ignorante no pé???Como?Me responda.A gente tem que aproveitar que as cutículas tão mais mole que nenê em banho morno.Segui, descalça sem noção se era deizora da manhã ou duas da tarde.Pensei no feijão preto que tava pronto e na farinha de milho crocante que comprei ontem.Sabia que tinha uma Heineken no jeito...Mas...E o aspirador de pó?Quem chega onde cheguei precisa subir o Everest.Fui.E o fogão ligado...Respirei. Comi segurando no cabo da panela.De colher.Matei a Heineken. Ainda sobrou força. Vou me matar com o aspirador de pó. ...e passar cera na casa.Sou dessas que num larga o osso pela metade.Oremos.Tenho muita vontade.Pouca vergonha. Nenhum juízo. Que que é uma pinta pruma galinha de angola?Lembrei que tenho bom bril.Só paro na ora que acabar com o pacote.Vivi Ame...Viviane Mendes .

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Fiz a unha.
(se tratando de mim, um evento)

Desembaracei o cabelo e passei lanolina.
Comi couve, brócolis, rúcula, pepino, melão e atemoia.

Salpiquei um monte de gergelim preto pra fortalecer o rim.
Rim é o celeiro da vida.
É ele que manda prender e manda soltar.

Quero poder cuidar de todos que vivem comigo.
Inclusive eu.

A saúde mental, essa eu faço manutenção no meu quintal. 
...vendo minha roupa secando no varal e sentindo o cheiro da comida queimando no fogão. 

Meu gato me chamando no telhado.
Cachorro no meu pé 
Meu marido me esperando na cama.
Eu esperando que eles me esperem, sempre!
E eu com amor, servindo sempre.

Não me importa as novidades.
Quero o silêncio.

Quero andar a moda antiga.
Fazer minha própria comida.
Reclamar da dor da coluna.
Olhar no espelho e descobrir uma ruga, e falar para mim mesma que ainda dá tempo de acudir.
Como mãe dizendo para o filho que na volta a gente compra.

 Mesmo sabendo que não tem volta.
Quero ter acesso a ilusão.

Quero tempo de olhar para o céu. 
...e por nome no tom de azul.
Azul fitalocinina.
Azul turquesa. 
Azul anil.
Azul ceruleo.
Azul cobalto.

O céu não envelhece.
As cores também não. 
O que tem importância é o que nos surpreende. 
Hoje, descobri uma nova cor:
Lágrima de Vênus. 
É a cor do esmalte que pintei a unha. 
Vênus também chora.

Peço licença aos anos.
Não quero ser refém da vaidade.

O que quero é lucidez.
Senso do ridículo. 
E um pouco de vergonha na cara.

Vivi Ame...Viviane Mendes

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Quero ser a primeira a apontar meus defeitos.
...e a última a proclamar meus feitos.

Dos meus pecados, peço que me chegue a consciência. 
Imploro por coragem!
...para por uma lente de aumento naquilo que devo mudar.

Dos meus feitos, que os outros falem.
E que falem o bem e o mal.
Somos feitos de circunstâncias. 

Me quero limpa.
Sem o pó da falsa humildade. 

Sem o viés político que tapa os olhos.

Me quero sã.
Sem o fel do radicalismo.

Me quero salva.
Salva de mim mesma e da vaidade disfarçada de altruísmo. 

Me quero confortável no sim e no não que escolho a cada esquina.
Sobretudo, me quero brilhando no meu lugar.

Abro mão do peso de ser opaca.
Alma desbrilhosa é um trem que não reconhece seu trilho.

Que sobre minhas costas pese minha consciência. 
E que meus olhos possam reconhecer meu caminho.
Sem tropeçar e nem forçar o que é meu ao outro.
Isso se chama respeito.

Sou traço que com o tempo, se apaga.
Mas, rogo a Deus, que meu ego morra antes de mim.

Da porta para fora, que eu seja serena e atenta.
Da porta para dentro, que tire a poeira que embaça o discernimento.

Se a velhice me for permitida, peço silêncio. 

Que minha presença não tenha que ser tolerada.
...e que minha voz seja um canto de sereia para embalar meus sonhos.

Que assim seja!
Amém. 
Vivi Ame...Viviane Mendes

domingo, 26 de junho de 2022

Não me lembro com que idade fiquei menstruada.
...por volta dos dez, talvez.
⚠️🚫
TEXTO NÃO RECOMENDADO PARA PESSOAS RASAS.

Me lembro dos hormônios em ebulição.

O corpo tomando forma sinuosa.
Me lembro muito bem dos olhares masculinos de TODOS os homens que me olhavam.
De desconhecidos, velhos, amigos de meu avô, até os primos de treze anos.

A culpa não é da erotização infantil.
Na minha época malemá a gente assistia televisão. 

A melhor e mais atual definição escutei da boca de Maria Marruá:
" Homi, minha fia...é bicho que num presta."

 Vamulá...
Eu, a gostosa da escola e da família fui descobrindo como que funcionava.
Dos primeiros agarros e beijos, veja bem, eu não era uma biscate sem vergonha.
Eu era uma menina que descobriu que beijar era bom.
...a primeira vez que a " coisa quase aconteceu", foi com bicho homi de 13 anos.
Pedi para parar.
Ele me disse:
- " Se você gritar, vai vim tudo mundo aqui, daí quero ver você explicar..."

Ou seja, a culpa seria minha.
Felizmente consegui convencer esse, que hoje é um cidadão do bem, político e pecuarista a parar.
Parou.
Podia não ter parado.

A questão é que o assunto aborto desaloja a gente.
Temos sentimentos contraditórios. 

A culpa é da mulher, sempre!

Se ela mata o feto, é uma assassina desalmada .
A mulher é servil até quando é estuprada.
Poderia ser uma incubadora, né não?

Doar o filhote.
Vender, quem sabe?

Desconsideram a vontade do ser que é, em favor daquele que pode vir a ser.
O ser que é, a fêmea, tem mais que um útero. 
Tem vínculos mentais com tudo que envolve seu corpo.
E ela tem o direito de não querer que seu DNA siga por esse mundão de meu Deus misturado com o de um fiadaputaquarqué.

Então, cêis dá licença!

Cêis se resolve aí nas terapia, nas barras de acess, nas constelação, nos thetaling aí da vida.
Sério mesmo.
Tô zoano não. 
Cêis se arrezorve.
Amodi facilita a lida nessa vida maledeta.

Essa ferramentas citadas existem para auxiliar quem precisa delas.
Entretanto, nada vai pra frente, não existe chantagem emocional que desconstrua a culpa da mulher.

A mulher é culpada por menstruar.
A mulher é culpada por querer ser atraente. 
A mulher é culpada por gostar de sexo.
A mulher é culpada por acreditar no método coito interrompido. 
A mulher é culpada e ponto final.

O homi, bicho que num presta, foge.
Foge da paternidade.
Foge da responsabilidade. 
E a sociedade, a família,  a religião dá esse suporte.

Ele segue, com sua " fivela de respeito".
Segue fazendo filhos fora do casamento. 
Segue se orgulhando de sua vidinha de macho.

Concluindo...eu não sou leviana a ponto de não considerar as exceções. 
Alguns homens prestam.

Alguns homens fazem sexo.
A maioria cruza.
...e larga a ninhada.

Vivi Ame...Viviane Mendes

quarta-feira, 15 de junho de 2022

De vez enquando, eu só preciso chorar.

Foi um pecado todo choro que eu engoli minha vida inteira para não incomodar os outros.
Ninguém tem culpa disso.
Foi erro meu.
Erro que eu não quero perpetuar.
Entendo que ver alguém chorando, desaloja a gente.
Achamos que temos que fechar a torneira.
Da a impressão que a pessoa tá vazando.
Mas a natureza foi perfeita nesse sistema drenagem.
Sabe, lágrimas gordas que pulam dos olhos com força e vontade?
Daquelas que uma lágrima apenas tem a capacidade de lavar a cara da gente.
Esse choro é satisfatório. 
Choro fininho e contido é como espirro em lugar público. 
Não debulha as dores.

Acho que me faltou ninho. 
O lugar mais apropriado para chorar é no ninho. 
Comandando uma batalha, ninguém chora.
Mas, né?
Eu que deite na fama e na cama da guerreira forte e incansável que eu esculpi.
Foi obra de minha autoria.

Foi culpa de ninguém, esse mérito eu carrego.

Na infância,  não chorava porque eu ia ser uma lágrima a mais para encher o balde.
A família inteira chorava a morte prematura do meu pai.
Eu, acatei isso como meio de vida.
Minha amada vó ia me visitar na casa da minha mãe,  eu esperava a brasilia beje do meu avô dobrar a esquina para ela não me ver chorar agarrada com as duas mãos na grade baixa do portão da garagem.
A rua era de paralelepípedo. 
Conforme o carro se afastava, meu desespero aumentava.
Tinha medo que ela soubesse o quanto eu era infeliz numa casa com um padrasto que nunca me direcionou um olhar fraterno.
Muito pelo contrário. 

Assim, emponderada dessa miséria existencial, fiquei adulta e continuei lendo a cartilha que eu mesma escrevi.

Minha mãe com câncer,  eu vestida com a armadura de Joana darc, chorava até a esquina.
Engolia.
Erguia meu estandarte da vitória!
Me certificava que meu olho já tinha passado do campari para o dry Martini, e entrava na casa dela feito uma sirigaita feliz, perguntando se tinha café. 
Sabendo que o câncer avançava, apesar da quimio.

Fiquei boa nisso.
Afinal, a prática leva a perfeição. 
 E as pessoas não sabem o preço desse represamento lacrimal.

Quando eu achei que enfim chegou minha vez de chorar sem me sentir culpada, minha melhor amiga  chamou minha atenção porque eu tava chorando a morte do MEU cachorro no portão da MINHA casa.
...e as pessoas iam ver.

Desnecessário, né?
Afinal, amodiquê , uma artista conhecida na cidade passar no débito uma vegonha dessa.

Só queria ter esse direito.
Reiniciar minhas lágrimas...

Não foi justo comigo.
Eu só quero chorar sem me preocupar se o outro vai sofrer ao me ver chorar.
O direito às lágrimas não prescreveu.
Sinto que preciso desaguar.
Quando e onde eu quiser.
Lágrimas internas geram poças dentro da gente.
Água pede movimento.
Fluir.
Ser saudável emocionalmente, é colher o beneficio e o alívio das lágrimas. 
Me faltou isso na vida.
Foi um pecado...
Um crime o que eu fiz comigo!

A Vivi Ame, é humana.
Viviane Mendes.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Ralei o parmesão sentada.
...fiz um spaguethinho bem fininho.
Tinha um molho maravilhoso que eu fiz com tomate beeem vermelho.
Cansada até pra ficar de pé...mas ralar sentada num presta, a gente num tem força. 
Mai foi sem força mesmo.

Deixei bem  "al dente".
Uma taça de tinto.
Taquei tabasco.
Bati um prato fundo.
Parecia que minha vó que tinha feito pra mim.
Glória Deus!

Muito de vezinquando, me trato feito visita.
Faço azcoisa cheia das terceira intenção...
Faço pra me agradar.
Só faltou eu me chamar:
-Vem que tá na mesa!

Gosto de fazer de conta que eu não sou eu.
Fingi que num fui eu que limpei a casa.
Dei pão de fermentação natural pra Tchutchuca. 
No chão,  virou aquele monte de migalha esparramada pra tudo lado.
A Lisinha, a gata resolveu brincar com os farelos,  virou uma anarquia.
Mas como eu não sou eu, faço quiném aquelas que deixa o serviço pra empregada.

Eu, eu mesma teria comido menos macarrão. 
Teria feito sopa de legumes.
Pensaria na equação calorias/ nutrientes.
Seria mais um dia como todos.
Mas dei folga para mim.

Até eu preciso descansar de meus domínios. 
É chato todo dia a gente sustentar nossos hábitos e costumes.

Eu, eu mesma teria ficado de pé para ralar o parmesão. 
Ainda iria lavar o ralo.
Mas como fui visita, me dei ao luxo de fazer sentada.
E visita, na minha casa, num lava louça. 

Me lembrei duma cantina bem cantina italiana, e o garçon ralava o queijo na hora em cima do prato.
Eu, esganada pedia para ele ralar mais.
...e mais um pouquinho. 
A questão é que eu fiz de conta que a  minha cozinha era a cantina.
...taquei parmesão. 
Fiz de conta que nem era eu que tinha comprado. 
Esbanjei.
Afinal dinheiro dozoto é capim.

Eu sou toda comprometida com a logística das idas ao mercado e com a higienização do ambiente.

Mas hoje, sou aquela funcionária safada que deixa pão no chão pras barata comê que elas também são fiadedeus.

Amanhã quem sabe, eu apareço na minha vida.
Vivi Ame...Viviane Mendes

domingo, 22 de maio de 2022

Carrego o peso de ser a filha mais velha.

Eu e todos que vieram primeiro.
A gente foi vítima e herói ao mesmo tempo.
Fomos vítima da inexperiência de nossos pais.
Fomos heróis porque preparamos o terreno para os irmãos. 
Nós,  os filhos mais velhos assistimos brigas, sofrimentos e somos a única testemunha viva do passado desde que duas pessoas resolveram juntar as escovas de dente.

Não nos subestime!
Muitas vezes calamos para preservar a inocência dos pintinhos amarelinhos.
Apesar do peso do nosso passado, somos feito uma galinha velha que abre a asa para proteger os irmãos. 
Nós, os mais velhos, temos a chave do imbróglio familiar no qual vivemos.

Nos acostumamos a calar.
Não por mérito, mas por solidão.

Entretanto temos o dom da anunciação. 
Carregamos o canto do galo, eternamente.
É só a gente abrir a boca...e o resto baixa a crista.

Ser o filho mais velho é ser um eremita.
Assistimos o inventário da nossa existência com firma reconhecida no cartório. 
Nossa certidão de nascimento, velha, ainda não digitalizada  é uma prova incontestável, daquelas que até o juízo final nos absolve.

Acreditem, nossos pais desabafaram com nós. 
Preservaram os mais novos.
Nós, os mais velhos sabemos de coisas que pesam mais do que nosso RG.

Carregamos o peso das sombras!
Vivi Ame...Viviane Mendes

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Deve ser muito bom encher o pulmão de ar e dizer com um enorme ponto de exclamação no final a frase:

-Eu não preciso de você!

Nunca tive essa coragem.
Não consigo nem imaginar como deve ser.
Frase forte, toda emponderada.

Eu não tenho alvará para tanto poder.

Eu preciso.
Preciso emocionalmente.
Preciso mentalmente.
Preciso afetivamente.
Preciso financeiramente. 

Para ter esse tom, eu precisaria nascer novamente.
O que eu sou não chega aos pés dessa proclamação de liberdade.
E... logo eu que busco a liberdade em cada ato, em cada palavra, percebo que precisar é uma prisão. 

Não posso usar essa medida para ser a fita métrica do sucesso na vida.
Obviamente eu concluiria que, até aqui, minha vida foi um fracasso por precisar. 

Vivo presa no precisar.
...desde que eu nasci.

Vivi Ame...Viviane Mendes